Imagine por um momento: você está no supermercado e vê uma criança de 12 anos pegando uma lata colorida e brilhante na prateleira. É um energético. Ela parece animada com a compra, mas você se pergunta: será que ela realmente sabe o que está bebendo? Será que os pais dela conhecem os riscos dos energéticos para menores? Essa cena, que já foi comum em muitos países, agora mudou na Inglaterra. E talvez seja hora de conversarmos seriamente sobre isso.
A decisão da Inglaterra de proibir a venda de energéticos para menores de 16 anos não veio do nada. Foi resultado de anos de estudos, preocupações médicas e relatos alarmantes sobre como essas bebidas estavam afetando a vida dos jovens. Vamos entender juntos o que está acontecendo e por que isso deveria nos preocupar também.
O Que São Energéticos e Por Que Se Tornaram Tão Populares?
Antes de mais nada, vamos esclarecer o que são essas bebidas energéticas. Energéticos são bebidas que contêm cafeína, taurina, açúcar e outros estimulantes. Eles prometem dar energia, melhorar a concentração e ajudar você a ficar acordado por mais tempo.
Essas bebidas se tornaram muito populares entre jovens por vários motivos:
- Marketing agressivo direcionado aos jovens
- Sabores atrativos e embalagens coloridas
- Promessas de melhor performance nos estudos e esportes
- Facilidade de compra (estavam disponíveis em qualquer lugar)
- Preços acessíveis
Mas aqui está o problema: o que parece inofensivo na prateleira pode esconder riscos sérios para a saúde, especialmente quando falamos de crianças e adolescentes.
A Decisão Histórica da Inglaterra: Proibição de Energéticos para Menores
A Inglaterra tomou uma decisão que muitos consideram corajosa e necessária. O país implementou a proibição de energéticos para menores de 16 anos, tornando-se um dos primeiros a adotar essa medida de forma ampla.
Como Surgiu Essa Decisão?
A decisão não aconteceu da noite para o dia. O Partido Trabalhista, liderado por Keir Starmer, junto com autoridades de saúde, observaram um aumento preocupante nos problemas relacionados ao consumo dessas bebidas entre jovens.
Os dados eram alarmantes:
- Crianças consumindo o equivalente a várias xícaras de café por dia
- Aumento nos casos de ansiedade e insônia entre jovens
- Problemas de concentração nas escolas
- Casos de problemas cardiovasculares em adolescentes
O Que Diz a Lei Agora?
A nova regulamentação é clara: lojas não podem vender energéticos para pessoas menores de 16 anos. É similar à proibição de venda de cigarro ou álcool – você precisa mostrar identidade para comprovar a idade.
Isso inclui não apenas as bebidas energéticas tradicionais, mas também:
- Bebidas com alta concentração de cafeína
- Produtos que combinam estimulantes
- Qualquer bebida com mais de 150mg de cafeína por litro
Energéticos para Menores: Os Riscos Reais à Saúde
Agora vamos ao que realmente importa: por que essa proibição de energéticos faz tanto sentido do ponto de vista médico? Os riscos são reais e mais sérios do que muitos imaginam.

Problemas com a Cafeína: Muito Mais Que um Cafezinho
Uma lata de energético pode conter entre 50 a 300mg de cafeína. Para você ter uma ideia, isso é como beber de 1 a 6 xícaras de café de uma vez só. Agora imagine uma criança de 10 anos bebendo isso.
Os efeitos da cafeína em excesso incluem:
- Tremores e agitação
- Dificuldade para dormir
- Ansiedade e nervosismo
- Dores de cabeça
- Aumento da pressão arterial
Açúcar: O Vilão Disfarçado
Além da cafeína, os energéticos são bombas de açúcar. Uma única lata pode conter até 27g de açúcar – isso é mais de 6 colheres de chá!
Esse excesso de açúcar contribui para:
- Obesidade infantil
- Problemas dentários
- Picos de energia seguidos de “crashes”
- Desenvolvimento de diabetes tipo 2
- Vício em açúcar
Distúrbios do Sono: Quando a Noite Vira Dia
Um dos problemas mais relatados pelos pais é como os energéticos afetam o sono dos filhos. Distúrbios do sono se tornaram comuns entre jovens que consomem essas bebidas.
As consequências incluem:
- Dificuldade para adormecer
- Sono fragmentado e pouco reparador
- Cansaço durante o dia
- Problemas de concentração na escola
- Mudanças de humor e irritabilidade
Problemas Cardiovasculares: Um Coração Jovem em Risco
Talvez o mais preocupante sejam os problemas cardiovasculares. O coração de uma criança ou adolescente não está preparado para a sobrecarga de estimulantes.
Os riscos incluem:
- Aumento da frequência cardíaca
- Arritmias (batimentos irregulares)
- Aumento da pressão arterial
- Em casos extremos, problemas cardíacos graves
A Mistura Perigosa: Energéticos para Menores e Álcool
Um problema que preocupa especialmente as autoridades é a mistura com álcool. Embora teoricamente adolescentes não devessem ter acesso ao álcool, na prática isso acontece, e a combinação é extremamente perigosa.
Por Que Essa Combinação é Tão Arriscada?
Quando energéticos são misturados com álcool:
- A pessoa não sente os efeitos do álcool adequadamente
- Há maior tendência ao consumo excessivo
- Os riscos cardiovasculares se multiplicam
- Podem ocorrer problemas graves de saúde
Na Inglaterra, casos de jovens hospitalizados por essa combinação contribuíram para acelerar a decisão da proibição de energéticos.
O Papel da Publicidade: Como os Energéticos Conquistaram os Jovens
Não podemos falar sobre este assunto sem mencionar o papel da publicidade. Assim como aconteceu com a publicidade de junk food, as empresas de energéticos investiram pesado em marketing direcionado aos jovens.
Estratégias Que Funcionaram (Mas Prejudicaram)
As empresas usaram várias táticas:
- Patrocínio de eventos esportivos juvenis
- Influenciadores digitais promovendo os produtos
- Embalagens coloridas e atrativas
- Promessas de melhor performance
- Presença em escolas e universidades
Essas estratégias foram tão eficazes que muitos jovens passaram a ver os energéticos como parte normal da rotina, sem perceber os riscos.
A Opinião Médica: O Que Dizem os Especialistas em Pediatria
Profissionais de pediatria ao redor do mundo têm se posicionado de forma clara sobre o consumo de energéticos por crianças e adolescentes.
O Consenso Médico
A maioria dos pediatras concorda que:
- Não há dose “segura” de energéticos para crianças
- Os riscos superam qualquer benefício percebido
- O desenvolvimento cerebral pode ser afetado
- Problemas de comportamento podem se intensificar
- A dependência de estimulantes pode se desenvolver
Estudos Que Mudaram a Perspectiva
Pesquisas recentes mostraram que o consumo regular de energéticos por jovens está associado a:
- Pior desempenho escolar a longo prazo
- Aumento de comportamentos de risco
- Problemas de saúde mental
- Maior propensão ao uso de outras substâncias
Energéticos para Menores: Comparação com Outros Países
A Inglaterra não está sozinha nessa preocupação. Vamos ver como outros países estão lidando com a questão.
Países Que Já Tomaram Medidas
Vários países implementaram restrições:
- Lituânia: Proibição para menores de 18 anos
- Letônia: Restrições na venda para menores
- Turquia: Limite de cafeína em bebidas
- França: Regulamentação rigorosa da publicidade
E o Brasil? O Papel da Anvisa
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) regulamenta esses produtos, mas as regras ainda são mais flexíveis comparadas à Inglaterra. Existem discussões sobre tornar as regulamentações mais rígidas.
Os Sinais de Alerta: Como Identificar Problemas
Se você é pai, mãe ou cuidador, é importante saber identificar os sinais de que uma criança pode estar consumindo energéticos em excesso.
Sinais Físicos
Fique atento a:
- Agitação excessiva
- Dificuldade para dormir
- Tremores nas mãos
- Dores de cabeça frequentes
- Problemas estomacais
Sinais Comportamentais
Observe mudanças como:
- Ansiedade aumentada
- Irritabilidade
- Dificuldade de concentração
- Mudanças bruscas de humor
- Problemas na escola
Alternativas Saudáveis aos Energéticos para Menores
A boa notícia é que existem muitas alternativas saudáveis para dar energia e melhorar a concentração sem os riscos dos energéticos.
Opções Naturais
- Água: A desidratação é uma das principais causas de cansaço
- Frutas: Fornecem açúcar natural e vitaminas
- Nozes e castanhas: Energia duradoura e saudável
- Exercícios: Aumentam a energia naturalmente
- Sono adequado: A base de tudo
Mudanças no Estilo de Vida
- Estabelecer rotinas de sono regulares
- Incentivar atividades físicas
- Alimentação balanceada
- Reduzir o tempo de tela antes de dormir
- Criar ambientes calmos para estudo
O Futuro: O Que Esperar Após a Proibição
A decisão da Inglaterra pode ser o início de uma mudança global na forma como vemos os energéticos e sua relação com os jovens.
Impactos Esperados
Com a proibição de energéticos, especialistas esperam:
- Redução nos casos de ansiedade juvenil
- Melhoria nos padrões de sono dos adolescentes
- Diminuição da obesidade infantil
- Menos problemas cardiovasculares em jovens
- Melhor desempenho escolar
Desafios Pela Frente
Claro que não será fácil. Os desafios incluem:
- Fiscalização efetiva da nova lei
- Mudança de hábitos já estabelecidos
- Resistência da indústria
- Educação contínua sobre os riscos
Energéticos para Menores: O Papel da Família e da Escola
A proibição de energéticos é importante, mas não resolve tudo sozinha. Família e escola têm papéis fundamentais nessa mudança.
O Que as Famílias Podem Fazer
- Conversar abertamente sobre os riscos
- Dar exemplo com escolhas saudáveis
- Estabelecer regras claras em casa
- Oferecer alternativas atrativas
- Procurar ajuda médica quando necessário
O Papel das Escolas
- Educação sobre alimentação saudável
- Políticas claras sobre bebidas permitidas
- Programas de conscientização
- Apoio a alunos com problemas relacionados
- Trabalho conjunto com as famílias
Mitos e Verdades sobre Energéticos
Vamos esclarecer alguns mitos comuns sobre essas bebidas:
Mito: “Energéticos ajudam nos estudos”
Verdade: O efeito é temporário e pode prejudicar a concentração a longo prazo.
Mito: “Uma latinha não faz mal”
Verdade: Para crianças, mesmo pequenas quantidades podem causar problemas.
Mito: “São como refrigerantes”
Verdade: Contêm muito mais cafeína e estimulantes que refrigerantes comuns.
Mito: “Só viciam se beber todo dia”
Verdade: A dependência pode se desenvolver rapidamente em jovens.
Um Futuro Mais Saudável para Nossas Crianças
A decisão da Inglaterra de proibir a venda de energéticos para menores de 16 anos marca um momento importante na proteção da saúde infantil. Não se trata apenas de uma regra nova, mas de um reconhecimento de que precisamos proteger nossos jovens dos riscos à saúde associados a essas bebidas.

Os dados são claros: cafeína, açúcar e estimulantes em excesso podem causar problemas cardiovasculares, distúrbios do sono, ansiedade, insônia e contribuir para a obesidade infantil. A mistura com álcool torna tudo ainda mais perigoso.
Mas a proibição de energéticos é apenas o primeiro passo. Precisamos de educação contínua, alternativas saudáveis e o envolvimento de toda a sociedade – famílias, escolas, profissionais de pediatria e autoridades como a Anvisa.
O caminho para um futuro mais saudável para nossos jovens passa por decisões conscientes hoje. A Inglaterra mostrou que é possível priorizar a saúde sobre os interesses comerciais. Agora cabe a nós seguirmos esse exemplo e garantirmos que nossas crianças e adolescentes tenham as melhores condições para crescer saudáveis e felizes.
Lembre-se: não existe energia mágica em lata. A verdadeira energia vem de hábitos saudáveis, sono adequado, alimentação balanceada e muito amor e cuidado.




